Mensagem de retrospectiva 2023

Feliz 2024!

Só agora o ano me parece começar de verdade. Por isso aqui estou para falar um pouco de 2023, do país, das atividades do Atelier, dos agradecimentos aos amores, amigas, amigos, amigues, e às novas descobertas sensíveis.

 

Muito me alegra estar em um país que se permitiu novamente se abrir corajoso para o mundo, para as ideias, para o outro. A liderança e a equipe que assumiu a direção do país em  janeiro de 2023 está fazendo muito!; …e muito rapidamente. Eu estava lá naquela posse aos prantos, e, todes nós, naquele gramado imenso, com muito mais esperança do que certezas. Uma catarse de alegria e acolhimento se deu. Aquele período de sombras que parecia sem fim… mostrava uma fresta de luz. E, nos dias que se seguiriam, ver instituições que enfrentaram aquele trágico 8 de janeiro nos encheu de emoção e força. Voltávamos a sentir orgulho da nossa brasilidade. E depois isto só foi crescendo com as políticas sociais sendo resgatadas e ampliadas, os diálogos transversais unindo as pastas ministeriais para um objetivo comum, a inclusão dos que literalmente estavam sendo eliminados e abandonados. Indígenas, mulheres, negros no topo do pais, com voz. Com discursos e rituais dignificantes, fora de qualquer rótulo colonizador, expondo o coração e a essencialidade da cultura que nos constitui.  Quem trabalha e respira artes e humanidades, de um profundo mutismo viu-se novamente em cena, com a maestrina dos sonhos –  Margareth Menezes (@margareth) e sua equipe (@Minc) tirando ideias incríveis das gavetas empoeiradas, reformulando e criando projetos e leis que reanimaram corpos e mentes férteis a remover a terra e semear o Brasil de norte a sul.

 

Nesse movimento  de renascimento da vida e da arte, o Atelier Casa4 fez em 2023 uma sensível homenagem à artista Gloria Barbosa que ocupava este espaço até seu falecimento em 2022. Foi lindo! Uma projeção de suas últimas exposições, depoimentos da artista e manifestações para ela aconteceram no pátio da Vila do Largo, e emocionaram a todas, todos e todes! O eterno MIAN – Museu Internacional de Arte Naif  – cedeu  três obras de Gloria Barbosa pertencentes ao acervo do Museu para ficarem expostas neste encontro. Uma bela surpresa!

 

Pois é, bom voltar a conversar com as pessoas do MIAN… podemos mesmo dizer que 2023 foi o ano de ampliar esta rede sensível; de criar parcerias por afinidades poéticas. Ano em que os artistas do coletivo do Atelier se apresentaram em outros locais com exposições, lançamentos de livros, rodas de conversa, canto, performances e vídeoartes; na FLIP 2023, MAM, Fábrica Behring (o Lugar e …), Triplex, Espaço Travessia, Arenas Jovelina Pérola Negra e Fernando Torres, Centro de Dança Contemporânea (Mulherio das  Letras), Galpão Dama (Cortejo…), Espaço dos Correios, Galeria BB e as ruas do Centro, Santa Teresa, Beco do Rato (@rua..), Glória, Aterro do Flamengo.

 

Houve também o evento sempre especial chamado Vila Aberta, em que grande parte das casas da Vila do Largo, onde fica o Atelier Casa4,  se abre para mostrar uma forma diferente e prazerosa de se trabalhar, de realizar ofícios nas artes diversas. Descobertas também incríveis do talento destes vizinhos e novas possibilidades de parcerias, expansão e  de criação conjunta. 

 

Dentro deste universo de novos amigos nas artes, o mês de dezembro foi tenso em função do adoecimento de uma poeta querida e bem importante para o país – Solange Padilha – que precisava unir esforços para fazer uma cirurgia urgente. Era preciso fortalecer e ampliar a roda. Ninguém largar a mão de ninguém. Momentos difíceis, mas sem perder o verso, a rima, o abraço. E o ano de 2024 se abre então com uma linda noite de autógrafos e poemas escritos por lábios arfantes, no Estação Botafogo, promovida pelo Cavi (Cavídeo) na véspera da bem sucedida cirurgia da querida Solange. 

Alívio! O ano começa com o coração cheio de amor e solidariedade, que nos torna existencialmente gigantes e agradecidos uns aos outros! Aguardem que teremos, provavelmente em março, uma nova noite literária, de muita poesia, com Solange Padilha recuperada, dessa vez no Atelier Casa4 de Arte e Filosofia!

 

Que 2024 venha sem poupar afeto algum, sem barreiras, sem proteções, sem preconceitos. Com entregas generosas, recíprocas.  Que braços se abram com a vontade de quem sabe que despertará sorrisos!

Epifanias: mais perto dos deuses, sinto-me tranquile – balanço as perninhas, ouço sinos, levito, sou estrela.

Aterrar: gramoterapia, sorrir, amar, sentir o vento – formas de segurar a queda do céu e adiar o fim do mundo.

Pensar: modo de indignar-se, trocar, criar, agir, transformar – fazer revoluções.

Fruir: poesia pode ser corpo, silêncio, tato, cheiro, escuta – visão no breu.

Onírico e telúrico: adentrar; diluir-se em cores, alegrias, sonhos, sons e afetos.